Foto: Atilon Lima

Diário do Vale: projeto propõe reforço na segurança de profissionais da área da saúde

outubro 15, 2025

Diante do aumento da violência contra profissionais da saúde nos últimos anos, uma resposta legislativa foi apresentada no Rio de Janeiro. Publicado nesta quarta-feira (15) no Diário Oficial, o Projeto de Lei nº 6.569/2025, protocolado pela deputada Lilian Behring (PCdoB), cria o Programa Ronda da Saúde, voltado a reforçar a segurança e prevenir agressões contra trabalhadores da área em todo o estado.

A proposta surgiu de uma parceria com a deputada federal Enfermeira Rejane (PCdoB), que apresentou a ideia após uma audiência pública promovida por Behring na Alerj, em 29 de setembro, para discutir medidas de proteção aos profissionais da saúde.

“A violência contra os profissionais da saúde é uma realidade cruel e crescente. Durante a audiência pública, ouvimos as dificuldades enfrentadas por esses profissionais, e a partir daí, a deputada Enfermeira Rejane nos apresentou esse projeto para que os trabalhadores da saúde possam exercer suas funções com dignidade e segurança”, afirmou Lilian Behring.
“A sociedade precisa entender que quem sofre com essa violência não são apenas os profissionais, mas a população, que acaba sendo prejudicada pela falta de profissionais disponíveis e pelo estresse gerado por essas situações”, completou.

Segurança nas unidades de saúde

O Programa Ronda da Saúde prevê uma série de ações intersetoriais para prevenir a violência contra profissionais da saúde, principalmente em unidades públicas. O texto determina a presença constante de agentes da Polícia Militar e Civil nas imediações e dentro das unidades, com visitas diárias e turnos ininterruptos.

Além disso, o projeto prevê palestras e debates sobre violência e direitos trabalhistas, promovendo uma abordagem educativa e integradora sobre o tema.

Entre as ações previstas estão:

  • Presença permanente de agentes de segurança nas unidades da rede pública;
  • Capacitação contínua dos profissionais com palestras sobre combate à violência;
  • Alocação de veículos identificados da PMERJ para garantir mobilidade das equipes;
  • Criação de mecanismos de notificação e acompanhamento dos casos registrados;
  • Convênios com municípios para reforçar a segurança, inspirados no modelo do Programa Segurança Presente.

Violência crescente e impacto psicológico

Levantamento divulgado pela Revista Brasileira de Medicina do Trabalho mostrou que 88,9% dos enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem já sofreram algum tipo de violência no ambiente de trabalho. As agressões mais frequentes são abuso verbal (38%), assédio moral (25,4%) e violência física (11%).

Esse cenário tem impacto direto na saúde mental dos profissionais, gerando afastamentos, ansiedade, depressão e esgotamento.

Valorização e qualidade no atendimento

Além da proteção, o projeto também busca melhorar a qualidade do atendimento à população.

“Este projeto é uma resposta não só à violência, mas ao desgaste emocional que muitos profissionais enfrentam, o que afeta diretamente o atendimento à população”, explicou Lilian Behring.

Com mais segurança e respeito, os profissionais poderão trabalhar com tranquilidade, o que reflete diretamente na qualidade do serviço prestado à sociedade.

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